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Como calculamos

Cada número sai de uma fórmula fixa sobre votos nominais públicos — sem opinião, inferência ou preenchimento de dado ausente. O que não atinge amostra mínima não aparece (exceção: gráfico de proporção por tema, seção 3).

Escopo: que votações entram na base

A base cobre o mandato inteiro da 57ª legislatura: de 1º de fevereiro de 2023 (posse) até a última atualização. Hoje são 1.123 votações nominais e 454.656 votos individuais.

Dentro desse período, entra toda votação do Plenário em que houve registro de voto individual — nenhuma é escolhida a dedo. Fica de fora a votação simbólica (aprovada por acordo de lideranças), que é a maioria: ela simplesmente não produz voto nominal por deputado, então não há o que medir. Não é recorte editorial, é ausência do dado na origem.

  • Fichas só para os deputados em exercício hoje. Quem saiu no meio do mandato (suplente que devolveu a cadeira, licenciado, ex-deputado) continua com os votos na base e continua contando na maioria do bloco da época, mas não tem página própria.
  • O partido usado é o da época do voto, não o atual — quem trocou de partido aparece em blocos diferentes conforme a votação.
  • Partidos extintos no meio do mandato (Patriota, PSC, PROS) têm posicionamento e bloco próprios, pela mesma régua dos vigentes. Ver a tabela de partidos.
  • Deputado sem partido no momento do voto tem o voto registrado e exibido na ficha, mas não entra na maioria de nenhum bloco: “sem partido” não é um partido, logo não há posicionamento citável para classificá-lo.

Uma proposição antiga que voltou a ser votada no período entra normalmente — o critério é a data da votação, não a de apresentação do projeto. Por isso há proposições anteriores a 2023 na base.

1. Classificação de bloco (Esquerda / Centro / Direita)

Cada partido tem um rótulo de posicionamento no espectro político (ex: “Centro-esquerda a esquerda”), atribuído por consenso editorial da Wikipedia — nunca por nós. Esse rótulo é reduzido a um dos 3 blocos por leitura literal do intervalo já citado pela fonte:

  • Se o intervalo alcança a extremidade pura de um lado (ex: termina em “esquerda” ou “direita”), o partido entra nesse bloco.
  • Se o intervalo não sai do território “Centro” (ex: “Centro a centro-direita”), o partido entra em Centro.

Isso não introduz nenhuma informação que a fonte não tenha — só agrupa o que já está lá. A ficha de cada deputado lista, por bloco, todos os partidos agrupados nele com o rótulo original de cada um, para a nuance não se perder na simplificação.

ver tabela completa dos partidos, com fonte específica de cada um →

2. Posição majoritária do bloco numa votação

Para cada votação nominal, olhamos como cada deputado do bloco votou (Sim / Não / Abstenção) e a posição do bloco naquela votação é o voto mais frequente entre eles, desde que reúna mais da metade dos votantes do bloco:

posição do bloco = voto (Sim ou Não) mais frequente entre os deputados do bloco que votaram naquela votação, se esse voto tiver mais de 50% dos votantes do bloco

Regra de amostra mínima: um bloco só tem posição numa votação com pelo menos 30 votantes (Sim, Não ou Abstenção; obstrução não conta como votante). Abaixo disso, a votação é marcada como “amostra insuficiente” e não entra no cálculo de alinhamento de nenhum deputado.

Regra de coesão: o voto mais frequente precisa reunir mais de 50% de todos os votantes do bloco (contando as abstenções no total). Um empate exato (50/50) ou uma pluralidade fraca (ex: 40% Sim, 35% Não, 25% Abstenção) deixam o bloco “sem posição” naquela votação — não há regra de desempate, a votação simplesmente fica fora do cálculo. O mesmo vale quando o voto mais frequente é Abstenção: o bloco não tomou posição de mérito, então nenhum deputado é contado como convergente ou divergente dele ali.

Quem conta como “deputado do bloco”: o bloco de cada voto é o do partido em que o deputado estava na data daquela votação (registrado voto a voto pela Câmara), não o partido atual — quem trocou de partido na legislatura tem votos em blocos diferentes, e a ficha marca “votou como X” nesses projetos. Deputados que já deixaram a Câmara (ex-titulares, suplentes que voltaram) continuam contando nas votações em que votaram, embora não tenham ficha. E o próprio deputado cuja ficha está sendo lida também entra na contagem do seu bloco — a posição do bloco é um fato único por votação, igual para todo mundo, não recalculada por pessoa.

Os blocos têm tamanhos muito diferentes. Numa votação típica, o bloco Direita tem cerca de 225 votantes, e Esquerda e Centro cerca de 95 e 91 (mínimos observados: 132, 10 e 50). A posição de um bloco pequeno oscila mais de uma votação para outra, e o percentual de alinhamento com ele é, por isso, estatisticamente menos estável do que com um bloco grande — vale ler os três números com esse tamanho em mente.

Como cada voto bruto da API é tratado:

  • Sim / Não — mantidos como posição de mérito.
  • Artigo 17 (presença sem posição de mérito) — tratado como Abstenção, mesmo efeito prático.
  • Obstrução — não é uma posição de voto. É uma tática regimental de ausência coordenada pela bancada/liderança para impedir quórum (RICD art. 82, §6º). Confundir isso com uma abstenção individual misturaria um boicote coletivo com uma escolha de neutralidade do deputado — por isso é excluído do cálculo inteiramente, como se o deputado não tivesse participado daquela votação.
  • tipoVoto ausente (null) mesmo com resultado agregado disponível — descartado, nunca inferido a partir do agregado da votação.
  • Ausência — a Câmara só registra quem votou; quem não estava presente não aparece na votação, não conta como votante do bloco nem entra no cálculo do próprio deputado. Não é abstenção nem obstrução.

3. Percentual de alinhamento do deputado (por bloco e por tema)

Para cada votação em que o deputado votou Sim ou Não (abstenção do próprio deputado não conta a favor nem contra), comparamos o voto dele com a posição majoritária de cada bloco naquela votação — só quando o bloco tinha posição válida (não “amostra insuficiente”):

% de alinhamento (deputado × bloco × tema) = (votações em que o voto do deputado coincidiu com a posição do bloco) ÷ (total de votações consideradas nesse bloco × tema) × 100

Regra de amostra mínima: um percentual só é exibido para uma combinação deputado + bloco + tema com pelo menos 10 votações consideradas. Abaixo disso, a métrica não aparece — não é arredondada nem aproximada, simplesmente fica ausente na ficha. “Consideradas” são só as votações em que o deputado votou Sim ou Não e o bloco tinha posição válida: a contagem é feita depois de tirar abstenções, obstruções, ausências e votações sem posição de bloco — um deputado com 40 votações das quais 35 foram abstenção tem 5 consideradas, e não exibe percentual. Não há regra especial para suplentes ou mandatos curtos: quem tem poucas votações simplesmente não atinge o mínimo.

Uma votação que a Câmara classifica em mais de um tema conta uma vez em cada um deles. “Sem tema classificado” agrupa as votações cuja proposição a própria API da Câmara não classifica em tema nenhum — é uma categoria de dado ausente, não um assunto.

O número de votações que de fato convergiram (o numerador exato, não uma aproximação de porcentagem) também fica visível em cada linha da ficha — “X de Y votações convergiram”.

Exceção — gráfico de proporção por tema: o meio-círculo com Esquerda/Centro/Direita somando 100% que aparece ao abrir um tema usa uma métrica diferente (peso fracionado: quando o deputado converge com mais de um bloco na mesma votação, o peso é dividido entre eles). Esse gráfico é exibido sempre, mesmo com poucas votações consideradas — em vez de esconder o dado abaixo de um mínimo, mostra o texto “Considerando N votações neste tema” junto do gráfico, para a pessoa julgar a confiabilidade por conta própria.

4. Por que sempre 3 números por tema, nunca 1

Cada tema mostra o alinhamento com os 3 blocos (Esquerda, Centro, Direita) lado a lado, nunca um placar único combinando os três. Um número único esconderia com qual bloco o deputado mais se aproxima em cada assunto — e resumir tudo numa única pontuação geral (como alguns sites do gênero fazem) esconderia até a variação entre temas diferentes, que é exatamente o dado mais informativo disponível.

5. Por que o quiz “Ranking de deputados” é diferente dos outros dois

Os quizzes “Adivinhe o voto” e “Alinhamento pontual” sempre comparam você com um deputado por vez — nunca somam respostas de deputados diferentes numa métrica só sobre você. O terceiro quiz, Ranking de deputados, é uma exceção deliberada a essa regra: ele acumula 8 respostas e monta um ranking nomeado — com foto — dos deputados com mais votos em comum com você. Na prática, isso o aproxima de uma ferramenta de matching político (o mesmo tipo do Politicando/Bússola Eleitoral), o que os outros dois quizzes evitam de propósito.

O que continua valendo, mesmo com essa mudança:

  • Nenhum rótulo de espectro político é atribuído a você — o resultado é sempre “X de Y votos em comum”, nunca “você é de esquerda/direita”.
  • Nada fica salvo além da sessão do navegador — sem conta, sem histórico entre visitas.
  • Cada “voto em comum” é rastreável até a votação real (link para o projeto completo), mantendo a fonte sempre visível.
  • O ranking ordena primeiro pela contagem absoluta de votos em comum (não só percentual), pra não inflar artificialmente quem teve poucas comparações válidas.

6. Busca por assunto nas proposições (como funciona e onde ela erra)

Em PLs em destaque existem duas buscas. O campo de texto filtra pela palavra exata na ementa. O botão “Buscar por assunto” faz outra coisa: compara o significado do que você escreveu com o de cada ementa, então “energia solar” encontra “cooperativas de energia solar” e “motorista de aplicativo” encontra “entregadores que trabalham por meio de aplicativo” — casos em que o filtro por palavra devolve zero.

Isso é feito com embeddings: cada proposição e a sua busca viram uma lista de números que representa o assunto do texto, e a comparação é a distância entre essas listas. O modelo é o bge-m3, rodando na infraestrutura do Cloudflare. Ele não escreve nem resume nada, e não opina sobre o conteúdo do projeto — só mede proximidade de texto.

O que entra no índice: apenas texto oficial da Câmara (a identificação da proposição, a ementa e, quando existe, a ementa detalhada). Os resumos em linguagem simples e os resumos mais longos escritos por IA ficam de fora de propósito: eles existem para parte das proposições, não para todas, e indexá-los faria as proposições que têm resumo aparecerem mais em qualquer busca — uma vantagem que vem da nossa cobertura, não do conteúdo do projeto.

A ordem é relevância para a sua busca, não importância. O site continua sem decidir que proposição importa mais: sem esta busca, a ordenação de PLs é sempre por contagem objetiva (tramitações, emendas, data) e escolhida por você. Aqui a ordem vem do texto que você digitou e muda a cada busca.

Dois limites medidos, não arbitrados (mesma régua das amostras mínimas das seções 2 e 3):

  • Se nem o melhor resultado passar de 0,46 de semelhança, a página avisa que a base provavelmente não trata do assunto, em vez de apresentar o resultado mais próximo como se fosse resposta. Esse número vem de um teste com 8 buscas fora do assunto legislativo (receita de bolo, astronomia, turismo) e 8 dentro: fora, o melhor resultado nunca passou de 0,439; dentro, nunca ficou abaixo de 0,478.
  • A lista mostra, por padrão, as proposições a até 0,10 de semelhança do melhor resultado. Isso faz o número de resultados acompanhar o quanto a base realmente cobre o tema — 3 para “energia solar”, 18 para “imposto de renda” — em vez de devolver sempre a mesma quantidade. As demais continuam acessíveis em um clique, nunca escondidas.

O limite que importa mais: a busca por assunto só alcança as proposições desta base, isto é, as que tiveram votação nominal no plenário desde 2023 (ver a seção Escopo acima). Não achar nada aqui não significa que a Câmara não tenha projetos sobre o tema — significa que nenhum deles passou por votação nominal registrada. E como a comparação é de proximidade de texto, ela sempre devolve algo: é por isso que o aviso de semelhança fraca existe.

Buscar por tipo e número (“PL 1087/2025”) continua indo pelo caminho literal, que é exato — comparação de significado é ruim para casar número.

7. Fontes dos dados

  • Votos nominais, deputados, proposições: API Dados Abertos da Câmara dos Deputados.
  • Despesas (cota parlamentar): arquivo em lote da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), publicado pela Câmara dos Deputados e atualizado diariamente — cada linha é uma nota fiscal já reembolsada, soma bruta, sem nenhuma interpretação.
  • Rótulo de posicionamento por partido: consenso editorial da Wikipedia.
  • Candidaturas 2026: TSE (candidatura já registrada oficialmente, não é especulação de pré-candidatura).
  • Silhuetas dos estados no filtro da home: MapSVG, licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0), via o pacote @svg-maps/brazil.

A fonte de cada dado fica visível junto do próprio dado na ficha, nunca só aqui.